
7 de Junho de 2009. Um dia para entrar para a história. Um dia em que mais uma página foi escrita na história de um esportes mais tradicionais do planeta. O dia em que O Homem quebrou dois recordes de uma só vez: Venceu todos os Grand Slams, completando o Career Slam (6º homem a fazê-lo; segundo nas configurações de piso atuais) e igualando o recorde de Pete Sampras, com 14 Grand Slams (Sendo que Sampras nunca venceu no saibro francês.
Não há duvidas que Roland Garros era a cereja do bolo da carreira desse gênio chamado Roger Federer. Tricampeão no Australian Open (2004/06-07), Penta em Wimbledon (2003-07) e no USOpen (04-09), o suíço alcançou a glória máxima na sua quarta tentativa na França. Perdera as outras três para Rafael Nadal, atual número um do mundo, tetracampeão na França.
Nem a invasão de um torcedor do Barcelona estragou a festa do suíço, mesmo que este tenha lhe tirado um pouco da concentração.
A estrada
Federer iniciou sua caminhada para o inédito titulo de Roland Garros e o 14º Grand slam contra o espanhol Alberto Martín, que não ocupa um lugar de destaque no ranking da ATP, e venceu facilmente, por 3 sets a 0. Em seguida, outro que falava espanhol, língua de seu principal rival no torneio. José Acasuso, tenista argentino Top50, arranhou o Numero 2 do mundo, conseguindo vencer um set em 7-5. Contudo, não foi o suficente, e Federer confirmou o favoritismo, seguindo em frente na busca de pelo menos defender os 1400 pontos da final do ultimo ano.
Na terceira rodada, Paul-Henri Mathieu, tenista da casa, fez com que a torcida - sempre fã de Federer - se dividisse. Contudo, o Suiço não deixou duvidas ao vencer de virada, parciais de 4-6, 6-1 e duplo 6-4. Nas oitavas-de-final, o ex-número 2 do mundo, Tommy Haas.
Impulsionado pela derrota do maior rival pelo título, Rafael Nadal, para o número 25 do mundo, cabeça 23, e talvez maior desafeto do espanhol, Robin Soderling, que se tornaria um dos protagonistas do torneio, Federer sofreu para derrotar o germânico. Saindo de uma derrota de 2-0, Roger Federer reagiu. Com um 6-4 e um pneu (6-0), o suíço levou a decisão para o terceiro set, onde também prevaleceu, com um 6-2. A primeira surpresa do torneio veio com a derrota do nº 4 do mundo, Djokovic, para o alemão Philipp Kohlschreiber, 29 do ranking de entrada da ATP.
Um ponto interessante foi a semelhança com o Aberto da Austrália deste ano. Assim como lá, um dos favoritos ao título (Murray no AO, Nadal em RG) abandonou o torneio precocemente. Na Oceania, o escocês perdeu para o também espanhol Fernando Verdasco. Assim como na Austrália, Federer reverteu uma vantagem de dois sets contra: na Austrália, foi contra o checo Tomas Berdych, nas mesmas oitavas de final.
Avançaram para as quartas de final, na chave do suíço, Gael Monfils (11), francês que defendia semis do último ano e proximo adversário de Federer, o argentino Del Potro (5) e Tommy Robredo (16). Na parte de cima, Soderling (23), embalado pela eliminação de Nadal enfrentaria o top10 Nikolay Davydenko, que bateu facilmente Fernando Verdasco (8), e Fernando Gonzalez (12), tenista chileno reconhecido por sua poderosa direita enfrentaria o novo 3 do mundo, Andy Murray, que se não empolga no saibro, tentava ganhar o primeiro titulo de um britânico no piso desde 1935 (se não me engano).
E contra o animado francês, com seu jeito carismático, levantando a torcida, Federer prevaleceu. Venceu, convenceu, e o titulo ficava cada vez mais próximo, com a chave cada vez mais aberta, já que do Top4 Federer era o único sobrevivente. Nas semis, degladiaria com Del Potro, "freguês", assim como fizera no Australian Open, e vencera com uma bicicleta: Duplo 6-0, no segundo e terceiro set. Decidindo uma vaga na final, também, Robin Soderling, apresentando um tenis de primeira e Fernando Gonzalez, finalista do Aberto da Austrália em 2007.
E Federer venceu. Mesmo sem empolgar no inicio do jogo, mesmo perdendo o primeiro set por 6-4, vencendo o segundo sem uma quebra sequer, derrotando o adversário no tie-break, perdendo o terceiro set por 6-2, o velho filme voltava. Da mesma maneira que Federer perdera nas semi-finais de Miami e Roma, para Novak Djokovic, após vencer, suspeitas de que o suíço não resistiria ao bom argentino e sucumbiria, enterrando sua melhor chance de vencer o Aberto da França. Porém, ele prevaleceu, novamente. Roger Federer acordou, jogou o seu melhor, quebrou o argentino no quarto, venceu por 6-1. e no set desempate, ao melhor estilo RF fez 6-4, garanindo-se na quarta final seguida do torneio.
O adversário? Robin Soderling, treinado por Maguns Normann, inesquecivel adversário de Guga na final de 2000, mantendo a tradição da Suécia de bons resultados no Aberto da França (Bjorn Borg foi tetra-cameão seguido, e ainda venceu mais dois titulos antes de se aposentar). Em sua primeira final de Grand Slam, o sueco, dono de um jogo sólido baseado na força, encarava um Federer determinado a fazer história.
O jogo
Começando no saque, Soderling logo foi quebrado. Federer confirmou a quebra, abriu uma vantagem de 2 games a zero, o que lhe daria a vantagem de administrar o resultado e fechar em 6-4. Mas não era suficiente, e ele novamente quebrou o saque do sueco, confirmando logo em seguida e abrindo o confortável placar de 4-0. Administrou, Soderling venceu seu primeiro game em finais de Grand Slam, e sacou com 1-5. Novamente, não foi páreo para Federer, que fechou o primeiro em 6-1.
O segundo set foi mais equilibrado, com destaque para o torcedor espanhol, fantasiado e com uma bandeira do Barcelona, que invadiu a quadra, assustando a todos, quando o placar apontava 2-3 e saque para Soderling, sem quebras. Após partir para cima de Federer e tentar cobri-lo com sua bandeira Blaugrená, o louco pulou a rede e avançou até ser derrubado por um segurança, no que configuraria um lindo tackle na NFL. Assim que foi retirado, Soderling confirmou seu serviço contra um desconcentrado Federer, que errava muitas bolas no seu backhand. A partida seguiu sem quebras até o tie-break. Lá, Federer fez 1-0 com um Ace. Soderling retribuiu o ace, mas cedeu um mini-break, dando a vantagem para o suíço, que aproveitou, com outro ace. Jogando sólido, Federer fechou o set com um 7-1 no tie.
E veio o momento da decisão. O set da decisão se aproximava, e a pergunta era uma só: Poderia Soderling aprontar para cima de Federer, machucar um suíço mais conservador, voltar a enfiar a mão na bola, provocar um quarto, talvez um quinto set?
A resposta era Não. Com uma quebra logo no começo do set, Federer ganhou o direito de sacar em 5-4, para o inédito titulo, para a história. Era evidente não só o seu nervosismo, mas também da futura mãe de seu filho e sua esposa, Mirka Vavrinec.
Federer fez a maioria dos pontos do último game com o segundo serviço, e o último não foi diferente. Após a falta na rede, Ele sacou aberto. Soderling se esticou, tocou a bola, mas ela ficou no meio da rede. 6-4. Roger Federer escreveu seu nome como o melhor tenista de todos os tempos.
Comemoração
Assim que Federer viu que seu saque não retornaria, desabou. Caiu de joelhos e irrompeu em lágrimas. Vencera.
Recebeu o troféu Phillipe Chatrier das mãos do último a vencer os 4 grand slams: André Agassi, que obteu o feito ao vencer o mesmo Roland Garros em 1999. Nos discursos, Soderling disse que Federer era realmente o melhor, e que ele teve uma aula de como jogar tênis.
Não deixa de ser verdade. Roger Federer conseguiu, merecidamente o reconhecimento de melhor de todos os tempos, superando Pete Sampras. Mesmo que ambos estejam empatados em numeros de Slams, Federer venceu o único que o americano não. Além disso, Roger tem apenas 27 anos, podendo aumentar ainda mais sua conta.
Com o título, ele se consolida no segundo posto mundial, e caso Nadal realmente não jogue Wimbledon, pode até retomar o posto de onde nunca deveria ter saído: O número 1.